Edna é que era mulher de verdade. Faxineira dos meus tempos de primeiro casamento, seguiu comigo na carreira solo e ainda por alguns anos no segundo. Com ela não tinha tempo ruim. Podia chover canivete, cair o mundo ou ponte desabar. Greve de trem, greve de ônibus, nada abalava Edna. Sexta-feira, sete horas em ponto não tinha erro, ela apertava a campainha da minha casa com uma disposição de meio-dia. E olha que ela morava longe. Vila Brasilândia, Paraisópolis, Ermelino Matarazzo, não me lembro bem, faz muito tempo.
Trocava de roupa rapidinho, tomava um cafezinho puro e partia pras louças na pia. Seu material de trabalho era basicamente sabão de coco, uma bucha, uma garrafa de água sanitária, um limpa-vidros e um vidro de Pinho Sol. Não adiantava eu querer vir com novidades que ela não estava nem ai. Nada de Vanish, Mr. Músculo, Pato, Veja X-14, Mon Bijou, essas coisas que existem hoje, nada disso. Dizia que era pura bobagem, só propaganda. Ah, na verdade, Edna gostava também de Polyflor perfume lavanda..Continuar lendo www.cartacapital.com.br/cultura/a-diarista-584.htm
Nenhum comentário:
Postar um comentário